Faltas justificadas: quando perdes salário (Art. 255.º CT)
A falta justificada não te tira direitos. As exceções são as 5 alíneas do Art. 255.º n.º 2: doença, acidente, agregado familiar e mais duas. Vê a lista.
A regra: a falta justificada não te tira direitos
O Art. 255.º n.º 1 do Código do Trabalho diz: "A falta justificada não afecta qualquer direito do trabalhador, salvo o disposto no número seguinte."
Na prática: se a falta é justificada e não está na lista do n.º 2, a empresa paga o dia como se tivesses trabalhado.
Exemplos de faltas justificadas que não estão na lista do n.º 2:
- Casamento: 15 dias seguidos (Art. 249.º n.º 2 al. a)).
- Nojo (Art. 249.º n.º 2 al. b) e Art. 251.º).
- Provas escolares de trabalhador-estudante (Art. 249.º n.º 2 al. c)).
- Ida à escola do menor de quem és responsável pela educação: até 4 horas por trimestre, por cada um (Art. 249.º n.º 2 al. g)).
As 5 exceções do Art. 255.º n.º 2
O Art. 255.º n.º 2 diz que perdes a retribuição nestas faltas justificadas:
| Alínea | Falta justificada | Quem pode pagar em vez da empresa |
|---|---|---|
| a) | Por doença, se tens proteção da Segurança Social na doença | Segurança Social (subsídio de doença) |
| b) | Por acidente de trabalho, se tens direito a subsídio ou seguro | Subsídio ou seguro |
| c) | Para assistência a membro do agregado familiar (Art. 252.º) | Nenhum pagamento previsto no Art. 255.º |
| d) | As das als. f) e l) do Art. 249.º n.º 2, quando passam de 30 dias por ano | Nenhum pagamento previsto no Art. 255.º |
| e) | A autorizada ou aprovada pela empresa | Nenhum pagamento previsto no Art. 255.º |
A al. f) do Art. 249.º n.º 2 é o acompanhamento de grávida que se desloca a hospital fora da ilha de residência para o parto. A al. l) é a falta que outra lei considera justificada.
A falta para assistência a membro do agregado familiar (Art. 252.º) não é paga, mas conta como prestação efetiva de trabalho (Art. 255.º n.º 3).
Doença: os 3 primeiros dias
- A empresa não paga a falta por doença se estás coberto pela proteção da Segurança Social na doença (Art. 255.º n.º 2 al. a)).
- O subsídio de doença dos trabalhadores por conta de outrem só é pago a partir do 4.º dia (DL 28/2004, Art. 21.º n.º 1). Os 3 primeiros dias chamam-se período de espera.
- Não há período de espera em caso de internamento hospitalar ou cirurgia de ambulatório, tuberculose, ou doença que começa durante o subsídio parental e continua depois dele (DL 28/2004, Art. 21.º n.º 6).
- Autodeclaração de doença no SNS 24 seguida de baixa: os dias da autodeclaração descontam no período de espera (DL 28/2004, Art. 21.º n.º 7).
O valor do subsídio é uma percentagem da remuneração de referência (DL 28/2004, Art. 16.º n.º 2):
- 55% até 30 dias;
- 60% de 31 a 90 dias;
- 70% de 91 a 365 dias;
- 75% acima de 365 dias.
Calcula quanto recebes de subsídio de doença
A calculadora aplica as percentagens do DL 28/2004 e os 3 dias de espera.
E as consultas médicas?
Esta é a pergunta mais comum. A resposta honesta: a lei não responde de forma direta.
- [Interpretação corrente:] a consulta própria é falta justificada pela al. d) do Art. 249.º n.º 2: impossibilidade de trabalhar por facto que não te é imputável, nomeadamente doença.
- O Art. 255.º n.º 2 al. a) tira a retribuição nas faltas por doença, quando estás coberto pela proteção da Segurança Social na doença.
- [Interpretação corrente:] há quem aplique esta regra às consultas. Há quem entenda que, sem subsídio de doença para umas horas de consulta, o salário se mantém.
- [Depende do caso:] o teu contrato coletivo pode resolver a questão. Confirma-o.
Se a empresa descontar, podes trocar o desconto por dias de férias (vê a secção seguinte).
Trocar a perda de salário por férias (Art. 257.º)
Se uma falta te tira salário, podes trocá-la por dias de férias:
- Só nos dias de férias acima de 20 dias úteis (Art. 257.º n.º 1 al. a) e Art. 238.º n.º 5). Com 22 dias de férias, podes usar até 2.
- Um dia de férias por cada dia de falta ("em igual número").
- Tens de o dizer à empresa de forma expressa. A lei não fixa um prazo.
- A empresa não se pode opor (Art. 257.º n.º 3). Se se opuser, é contraordenação grave (Art. 257.º n.º 4).
- O subsídio de férias não baixa (Art. 257.º n.º 2).
Se a empresa descontar mal
- Pede a correção por email. Indica o tipo de falta, a prova que entregaste e o Art. 255.º n.º 1.
- Faz queixa à ACT se a empresa não corrigir. Vê o guia como fazer queixa à ACT.
- Não deixes passar o prazo. O crédito salarial prescreve 1 ano depois do dia seguinte ao fim do contrato (Art. 337.º n.º 1).
- Resolução com justa causa. A falta culposa de pagamento pontual da retribuição é justa causa para saíres (Art. 394.º n.º 2 al. a)). É culposa a que dure 60 dias (Art. 394.º n.º 5). Vê o guia rescisão com justa causa.
A empresa descontou sem direito? Usa a minuta de interpelação
A minuta monta o pedido escrito à empresa e prepara o caminho para a queixa à ACT.
Ligações úteis
- Faltas justificadas e injustificadas: todas as faltas e a regra de cada uma.
- Falta previsível: como avisar a empresa: Arts. 253.º e 254.º.
- Falta imprevisível: como comunicar e provar.
- Dias de nojo por grau de parentesco.
- Faltas para assistência a filho.
- Primeiros 3 dias de baixa médica.
Perguntas frequentes
A empresa pode descontar uma falta justificada no salário?+
Os primeiros 3 dias de baixa por doença são pagos?+
Perco salário quando vou a uma consulta médica?+
Se faltar para o meu casamento, perco salário?+
Dias de nojo pela morte de um avô: perco salário?+
Posso trocar uma falta que me tira salário por um dia de férias?+
E se a empresa descontar uma falta que devia pagar?+
Fontes oficiais
5 referênciasEste guia é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para casos concretos, valida com um advogado ou entidade oficial. Encontraste um erro? Avisa-nos em ola@despacho.pt.