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Falta previsível: como avisar a empresa (Art. 253.º n.º 1 CT)

Cirurgia marcada, casamento, tribunal, consulta. Avisa a empresa com 5 dias, diz o motivo e guarda a prova. O que diz o Art. 253.º do Código do Trabalho.

O que conta como falta previsível

Previsível é a falta que sabes com tempo. Por isso a lei pede 5 dias de aviso.

Exemplos e a alínea do Art. 249.º n.º 2 que os justifica:

  • Casamento: 15 dias seguidos (al. a)).
  • Provas escolares de trabalhador-estudante (al. c) e Art. 91.º).
  • Ida à escola do menor de quem és responsável pela educação, por causa da situação educativa dele: até 4 horas por trimestre, por cada um (al. g)).
  • Cirurgia marcada ou consulta médica própria. [Interpretação corrente:] cabe na al. d): impossibilidade de trabalhar por facto que não te é imputável, nomeadamente doença.
  • Ir a tribunal como testemunha. [Interpretação corrente:] cabe na al. d): cumprimento de obrigação legal.
  • Assistência inadiável e imprescindível a filho, neto ou membro do agregado familiar (al. e)). Tem regras próprias: vê o guia faltas para assistência a filho.

Como avisar: prazo, forma e conteúdo

Prazo: 5 dias de antecedência (Art. 253.º n.º 1)

A lei diz "antecedência mínima de cinco dias". Não diz "dias úteis".

[Interpretação corrente:] contam-se dias de calendário. Exemplo: falta no dia 20 → avisa até ao dia 15.

Se o fim do prazo calhar num fim de semana, avisa antes. Assim não há dúvidas.

Não deu para avisar com 5 dias (Art. 253.º n.º 2)

Se não for possível respeitar os 5 dias, avisas logo que possível. Exemplos:

  • A notificação do tribunal chegou 4 dias antes da audiência → avisas no dia em que a recebes.
  • O médico marcou-te um exame para daqui a 2 dias → avisas quando sais da consulta.

A falta continua? Avisa outra vez (Art. 253.º n.º 4)

Se a ausência continuar logo a seguir à que avisaste, tens de comunicar de novo.

Forma

O Art. 253.º não exige forma escrita. [Interpretação corrente:] usa sempre um meio com data:

  • Email à chefia, com cópia aos recursos humanos.
  • Mensagem (SMS ou WhatsApp). Guarda uma captura com data e hora.
  • Plataforma interna da empresa, se existir. Manda também um email.

Conteúdo: motivo, dia, duração

A comunicação deve dizer:

  1. O motivo (obrigatório pelo Art. 253.º n.º 1): "consulta médica", "audiência em tribunal", "casamento".
  2. O dia ou os dias da falta.
  3. A duração: dia inteiro, meio dia ou horas.

Modelo curto:

Assunto: Comunicação de falta previsível, [data]

Caro(a) [nome],

Comunico, nos termos do Art. 253.º n.º 1 do Código do Trabalho, que vou faltar no dia [DD/MM/AAAA], [dia inteiro / das X às Y horas], por motivo de [casamento / consulta médica / audiência em tribunal].

Se precisar de prova, envio-a logo que me seja pedida.

Cumprimentos, [Nome]

A prova: que documento entregar (Art. 254.º)

A empresa pode pedir a prova do motivo nos 15 dias seguintes à comunicação. Tu entregas em prazo razoável (Art. 254.º n.º 1).

[Interpretação corrente:] exemplos de prova:

MotivoProva habitual
CasamentoCertidão de casamento
NojoCertidão de óbito
TribunalNotificação para comparecer
Provas escolaresDeclaração da escola com data da prova
Consulta ou cirurgiaDeclaração de presença do hospital ou centro de saúde

Para a doença, a lei diz quais as provas: declaração do hospital, do centro de saúde, do serviço digital do SNS (ou dos serviços regionais de saúde dos Açores e da Madeira) ou atestado médico (Art. 254.º n.º 2).

A empresa não pode exigir informações sobre a tua saúde, salvo se a natureza da atividade o justificar e der o motivo por escrito (Art. 17.º n.º 1 al. b)). Essas informações vão para um médico, que só diz à empresa se estás apto ou não (Art. 17.º n.º 2).

Se não entregares a prova pedida, a falta é injustificada (Art. 254.º n.º 6).

Quando perdes salário (Art. 255.º)

A regra: a falta justificada não afeta nenhum direito (Art. 255.º n.º 1).

As exceções são as 5 alíneas do Art. 255.º n.º 2. Perdes a retribuição nas faltas:

  • a) por doença, se estás coberto por um regime de proteção da Segurança Social na doença;
  • b) por acidente de trabalho, se tens direito a subsídio ou seguro;
  • c) para assistência a membro do agregado familiar (Art. 252.º);
  • d) das als. f) e l) do Art. 249.º n.º 2, quando passam de 30 dias por ano;
  • e) autorizadas ou aprovadas pela empresa.

A falta para assistência a filho também não é paga pela empresa: não tira direitos, salvo quanto à retribuição (Art. 65.º n.º 1 al. g)).

E as consultas médicas? A lei não responde de forma direta. [Interpretação corrente:] há quem aplique às consultas a regra da al. a) (doença). Há quem entenda que, sem subsídio de doença para umas horas de consulta, o salário se mantém. Vê o teu contrato coletivo.

Se a empresa descontar, podes trocar o desconto por dias de férias, só nos dias acima de 20 dias úteis de férias. Tens de o dizer à empresa de forma expressa e ela não se pode opor (Art. 257.º n.os 1 e 3 e Art. 238.º n.º 5).

A empresa descontou salário numa falta que avisaste a tempo?

A interpelação por escrito é o primeiro passo. A minuta monta o documento em poucos minutos.

Abrir minuta →

Os 4 erros mais comuns

  1. Não avisar "porque a chefia já sabia". Faz sempre a comunicação com o motivo (Art. 253.º n.º 1). Sem ela, a falta pode ser injustificada (Art. 253.º n.º 5).

  2. Não entregar a prova pedida. Se a empresa a pedir nos 15 dias seguintes à comunicação e não a entregares, a falta é injustificada (Art. 254.º n.os 1 e 6).

  3. Escrever só "vou faltar dia 15". O Art. 253.º n.º 1 exige o motivo. Uma frase chega, sem pormenores clínicos.

  4. Esquecer que faltas injustificadas pesam. 5 seguidas ou 10 interpoladas no mesmo ano civil podem ser justa causa de despedimento, mesmo sem prejuízo para a empresa (Art. 351.º n.º 2 al. g)).

Próximos passos

  • Cirurgia ou exame marcado → avisa com 5 dias → guarda a declaração do hospital ou o atestado.
  • Casamento → avisa com 5 dias → 15 dias seguidos de falta justificada (Art. 249.º n.º 2 al. a)).
  • Tribunal → a notificação chegou tarde? Avisa logo que possível (Art. 253.º n.º 2).
  • Consulta médica → avisa com 5 dias e pede declaração de presença.
  • A empresa descontou mal → envia uma interpelação por escrito e faz queixa à ACT.

Foi uma falta imprevisível?

Doença súbita, urgência ou acidente. Avisas logo que possível e a prova vem depois. O guia explica tudo.

Ver falta imprevisível →

Perguntas frequentes

Tenho mesmo de avisar com 5 dias de antecedência?+
Sim, quando a falta é previsível. O Art. 253.º n.º 1 do Código do Trabalho manda comunicar a ausência com a antecedência mínima de cinco dias, com a indicação do motivo. Se não for possível avisar com 5 dias (por exemplo, porque só soubeste depois), avisas logo que possível (Art. 253.º n.º 2).
Por escrito ou basta dizer à chefia?+
O Art. 253.º não exige forma escrita. [Interpretação corrente:] usa sempre um meio que deixe prova com data, como email ou mensagem. É a tua prova de que avisaste a tempo e disseste o motivo.
A empresa pode recusar a falta?+
[Interpretação corrente:] não, quando o motivo está na lista de faltas justificadas do Art. 249.º n.º 2 (por exemplo, casamento, nojo, provas escolares, doença ou cumprimento de uma obrigação legal). A empresa pode pedir prova nos 15 dias seguintes à comunicação (Art. 254.º n.º 1). A exceção é a falta que só é justificada porque a empresa a autoriza (Art. 249.º n.º 2 al. k)): aí depende dela.
E se não avisar com 5 dias?+
Se não cumprires as regras de comunicação do Art. 253.º, a falta é injustificada (Art. 253.º n.º 5). Perdes o salário desse período e esse tempo não conta para a antiguidade (Art. 256.º n.º 1). Se não deu para avisar com 5 dias, avisa logo que possível: é o que pede o Art. 253.º n.º 2.
Tenho de dizer o motivo exato?+
Tens de indicar o motivo justificativo (Art. 253.º n.º 1). Não basta dizer 'vou faltar dia 15'. Mas a empresa não pode exigir informações sobre a tua saúde, salvo se a natureza da atividade o justificar e o motivo for dado por escrito (Art. 17.º n.º 1 al. b)). [Interpretação corrente:] basta escrever 'consulta médica' ou 'cirurgia marcada', sem diagnóstico.
Que prova preciso entregar?+
A empresa pode pedir a prova do motivo nos 15 dias seguintes à comunicação. Tu entregas em prazo razoável (Art. 254.º n.º 1). A doença prova-se com declaração do hospital, do centro de saúde, do serviço digital do SNS (ou dos serviços regionais de saúde dos Açores e da Madeira) ou com atestado médico (Art. 254.º n.º 2). Se não entregares a prova pedida, a falta é injustificada (Art. 254.º n.º 6).
Perco salário quando vou ao médico?+
A lei não responde de forma direta. [Interpretação corrente:] a consulta própria é falta justificada pela al. d) do Art. 249.º n.º 2 (facto que não te é imputável, nomeadamente doença). O Art. 255.º n.º 2 al. a) tira a retribuição nas faltas por doença quando estás coberto pela proteção da Segurança Social na doença. Há quem aplique esta regra às consultas e há quem entenda que o salário se mantém. Vê o teu contrato coletivo. Se a empresa descontar, podes trocar o desconto por dias de férias acima de 20 dias úteis, e ela não se pode opor (Art. 257.º).
Perco salário por ir ao casamento ou ao tribunal?+
No casamento (15 dias seguidos) e no nojo, não. A falta justificada não afeta nenhum direito, salvo os casos da lista do Art. 255.º n.º 2, e o casamento e o nojo não estão nessa lista. [Interpretação corrente:] a ida a tribunal como testemunha é cumprimento de uma obrigação legal (Art. 249.º n.º 2 al. d)), que também não está na lista.

Fontes oficiais

4 referências

Este guia é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para casos concretos, valida com um advogado ou entidade oficial. Encontraste um erro? Avisa-nos em ola@despacho.pt.