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Reforma laboral chumbada: o que aconteceu na votação

Sabe porque a reforma laboral Trabalho XXI foi chumbada a 19 de junho de 2026, quem votou contra e o que se mantém no Código do Trabalho.

A reforma laboral chumbada já tem resultado. A 19 de junho de 2026, a Assembleia da República rejeitou o pacote Trabalho XXI na votação na generalidade. Não passou. Nada do pacote entrou em vigor: continua a valer o Código do Trabalho atual.

Este guia explica o que aconteceu na votação, porque é que a proposta caiu e o que isso muda para ti (por agora, nada).

O que aconteceu na votação

Uma proposta de lei não é votada de uma só vez. Passa por fases. A primeira é a votação na generalidade: o plenário vota a ideia geral do texto. Aprovar para continuar, ou chumbar e parar aqui.

A reforma laboral parou aqui. A 19 de junho de 2026, a maioria dos deputados votou contra. Uma proposta chumbada na generalidade não avança para a discussão artigo a artigo. O processo termina.

Quem votou como

O Governo (PSD/CDS) não tem maioria absoluta. Precisava de votos de outros partidos e não os teve.

  • A favor: PSD, IL e CDS-PP.
  • Contra: PS, Chega, Livre, PCP, BE, PAN e JPP.

O Chega tinha viabilizado o calendário da votação, mas condicionou o apoio ao texto a mudanças profundas. Sem acordo, votou contra. O seu voto foi decisivo para o chumbo. Os pontos que mais bloquearam o acordo foram o despedimento, a terceirização e a idade da reforma.

O que estava no pacote (e caiu)

Os pontos que mais mexiam com o trabalhador, todos agora sem efeito:

  • Oposição à reintegração em despedimento ilícito, que ia ser alargada a todas as empresas (hoje só microempresas ou cargos de chefia, Art. 392.º).
  • Banco de horas individual, por acordo direto entre empresa e trabalhador.
  • Teletrabalho, com regras de recusa mais flexíveis para a empresa.
  • Contratos a termo mais longos e período experimental mais curto no primeiro emprego.
  • Indemnização do despedimento coletivo, que ia subir de 14 para 15 dias por ano (Art. 366.º).

[Proposta chumbada:] cada um destes pontos era uma proposta. Com o chumbo, nenhum entrou em vigor. Os guias ligados em baixo explicam cada tema com a regra que vale hoje.

O que isto muda para ti agora

  • Nada muda já. A lei que conta é o Código do Trabalho atual.
  • Se algo te acontecer (despedimento, contrato, saída), aplica-se a lei em vigor à data dos documentos.
  • O tema pode voltar. O Governo disse que quer tentar de novo, com novo texto ou nova negociação. Acompanha antes de assumir que algo mudou.
  • Guarda a data dos documentos. É ela que fixa as regras que valem para o teu caso.

E agora? A reforma voltou à mesa da concertação

Um mês depois do chumbo, o processo recomeçou pelo princípio: pelo diálogo com os parceiros sociais.

A 15 de julho de 2026, a Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS — a mesa onde Governo, sindicatos e patrões negoceiam) reuniu pela primeira vez depois do chumbo, no Conselho Económico e Social, com a ministra do Trabalho a presidir. Na agenda oficial esteve o acompanhamento do Acordo Tripartido de Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028 — não um novo texto da reforma.

Em declarações públicas, a ministra voltou a defender que a revisão da legislação laboral é "inevitável", seja por este Governo ou por outro. Do lado sindical, o tema é dado como enterrado nesta forma; do lado patronal, a prioridade declarada foi o cumprimento das medidas do acordo salarial.

O que isto significa para ti:

  • Não há proposta nova. Nenhum texto novo deu entrada na Assembleia da República.
  • Não há calendário. Qualquer nova tentativa recomeça do zero: negociação, novo texto, novas votações.
  • A lei que vale continua a ser a mesma. Código do Trabalho atual, sem alterações.

Ligações úteis

Este guia é informativo e não substitui aconselhamento jurídico individualizado.

Perguntas frequentes

A reforma laboral foi aprovada ou chumbada?+
Foi chumbada. A Assembleia da República rejeitou o pacote Trabalho XXI na votação na generalidade a 19 de junho de 2026. Como falhou logo na primeira votação, a proposta não avançou para as fases seguintes. Nada do pacote entrou em vigor.
Quem votou contra a reforma laboral?+
Votaram contra PS, Chega, Livre, PCP, BE, PAN e JPP. A favor votaram só PSD, IL e CDS-PP. O Governo (PSD/CDS) não tem maioria sozinho e o voto contra do Chega foi decisivo para o chumbo.
Afinal a votação foi a 18 ou a 19 de junho?+
A data andou em cima de 18 de junho, mas a votação na generalidade e o chumbo aconteceram a 19 de junho de 2026, uma sexta-feira. É essa a data que conta para o resultado.
A reforma laboral já está em vigor?+
Não, e agora ainda menos. Nunca chegou a estar: era uma proposta de lei. Com o chumbo de 19 de junho de 2026, a proposta caiu. Continua a valer o Código do Trabalho atual, tal como estava.
O que muda já para mim com o chumbo?+
Nada. Tudo o que a proposta queria mudar (oposição à reintegração, banco de horas individual, regras de teletrabalho, contratos a termo mais longos) não passou. Se fores despedido, contratado ou saíres da empresa, aplica-se o Código do Trabalho em vigor à data.
A reforma laboral pode voltar?+
Pode, mas sem data. A 15 de julho de 2026, a Concertação Social reuniu pela primeira vez depois do chumbo e a ministra do Trabalho voltou a defender que a revisão da lei laboral é inevitável. Não há novo texto nem calendário: qualquer nova tentativa recomeça do zero. Até haver lei nova publicada no Diário da República, vale o Código do Trabalho atual.
Porque é que o Chega chumbou se tinha viabilizado o calendário?+
O Chega aceitou marcar a data da votação, mas condicionou o apoio ao conteúdo a mudanças profundas. Sem esse acordo, acabou por votar contra. Apontou pontos como o despedimento, a terceirização e a idade da reforma como razões do voto contra.
O que foi a greve geral de 3 de junho?+
Foi uma greve geral de contestação ao pacote laboral, antes da votação. As centrais sindicais opunham-se a vários pontos, com destaque para a oposição à reintegração em despedimento ilícito e o banco de horas individual. As confederações patronais, em geral, apoiavam a reforma.

Fontes oficiais

4 referências

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