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Burnout no trabalho: o que fazer passo a passo (2026)

O trabalho está a esgotar-te? Como pedir baixa, avisar a empresa, quanto recebes, o que a empresa não pode exigir e o que fazer se a causa é o trabalho.

Estás esgotado. Acordas cansado. Não dormes ao domingo à noite. O corpo começa a avisar. Férias não chegam. O primeiro passo é ir ao médico.

Este guia mostra o caminho: o que fazer primeiro, como avisar a empresa, quanto recebes, o que a empresa não pode exigir e o que fazer se a causa é o trabalho.

Sinais que não são "só stress"

O stress normal vai e vem. O esgotamento fica. Sinais comuns:

  • Cansaço que não passa com descanso.
  • Perder a paciência com coisas pequenas.
  • Sentir que já não fazes nada bem.
  • Dores de cabeça, problemas de estômago ou de sono.
  • Ansiedade ao domingo à noite.

Estes sinais não são um diagnóstico. Só um médico o pode fazer.

Passo 1: médico primeiro

A baixa é passada pelo médico. Caminhos possíveis:

  1. SNS 24 (telefone, site ou aplicação), que te encaminha.
  2. Médico de família no centro de saúde.
  3. Médico particular.

Descreve o que sentes: cansaço, insónia, ansiedade, dores. O médico decide o diagnóstico e o tempo de baixa.

Passo 2: avisar a empresa (Arts. 253.º e 254.º)

A doença súbita é uma falta imprevisível. Avisas a empresa logo que possível (Art. 253.º n.º 2).

  • Envia email no próprio dia, ou logo que consigas: "Comunico que estou doente e com incapacidade para o trabalho desde [data], por um período inicial de [X] dias."
  • Se a ausência continuar logo a seguir, comunica outra vez (Art. 253.º n.º 4).
  • A empresa pode pedir prova nos 15 dias seguintes à comunicação (Art. 254.º n.º 1). A prova da doença é a declaração do hospital, do centro de saúde, do serviço digital do SNS (ou dos serviços regionais de saúde dos Açores e da Madeira) ou o atestado médico (Art. 254.º n.º 2).
  • Se não comunicares ou não entregares a prova pedida, a falta é injustificada (Arts. 253.º n.º 5 e 254.º n.º 6).

Não tens de dizer o diagnóstico. A empresa não pode exigir informações sobre a tua saúde, salvo quando particulares exigências da atividade o justifiquem e dê o motivo por escrito (Art. 17.º n.º 1 al. b)). Mesmo aí, a informação vai para um médico, que só diz se estás apto ou não (Art. 17.º n.º 2).

Quanto recebes

Período da baixaPercentagem da remuneração de referênciaQuem paga
Dias 1 a 30%Ninguém (período de espera)
Até 30 dias55%Segurança Social
31 a 90 dias60%Segurança Social
91 a 365 dias70%Segurança Social
Mais de 365 dias75%Segurança Social

Bases legais: Art. 255.º n.º 2 al. a) do Código do Trabalho e DL 28/2004, Arts. 16.º n.º 2 e 21.º n.º 1.

Sem período de espera: internamento hospitalar ou cirurgia de ambulatório, tuberculose, ou doença que começa durante o subsídio parental e continua depois dele (DL 28/2004, Art. 21.º n.º 6).

Máximo: o subsídio de doença dos trabalhadores por conta de outrem dura no máximo 1095 dias (DL 28/2004, Art. 23.º n.º 1).

[Depende do caso:] o teu contrato coletivo pode obrigar a empresa a pagar os primeiros dias. Confirma-o.

Calcula o teu subsídio de doença

Põe a tua remuneração e a duração da baixa e vê quanto recebes.

Calcular agora →

O teu contrato durante a baixa

  • Se a baixa passar de um mês, o contrato fica suspenso (Art. 296.º n.º 1). Também se suspende antes, logo que se preveja que vai passar de um mês (Art. 296.º n.º 3). Não acaba.
  • Despedimento: [Interpretação corrente:] estar doente não é justa causa. A justa causa exige um comportamento culposo do trabalhador (Art. 351.º n.º 1).
  • Verificação da doença: a doença pode ser verificada por médico, nos termos da legislação própria (Art. 254.º n.º 3). Se te opuseres sem motivo atendível, a falta é injustificada (Art. 254.º n.º 6).

[Interpretação corrente:] não trabalhes durante a baixa, nem "só para ajudar". Responde por escrito que estás de baixa e que tratas do assunto quando voltares. Guarda as mensagens.

Se a causa é a empresa

A empresa tem o dever de proporcionar boas condições de trabalho, do ponto de vista físico e moral (Art. 127.º n.º 1 al. c)). E deve afastar atos que afetem a tua dignidade, nomeadamente assédio (Art. 127.º n.º 1 al. a)).

Assédio é o comportamento indesejado com o objetivo ou o efeito de perturbar ou constranger a pessoa, afetar a sua dignidade ou criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador (Art. 29.º n.º 2). É proibido (Art. 29.º n.º 1).

O que podes fazer:

  • Queixa à ACT. Vê o guia como fazer queixa à ACT.
  • Resolver o contrato com justa causa (Art. 394.º n.º 1). [Depende do caso:] as alíneas que costumam caber são a b) (violação culposa de garantias legais, designadamente assédio) e a f) (ofensa à integridade física ou moral, liberdade, honra ou dignidade) do Art. 394.º n.º 2.
  • Indemnização: entre 15 e 45 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, com um mínimo de 3 meses (Art. 396.º n.º 1).
  • Subsídio de desemprego: a resolução com justa causa pelo trabalhador conta como desemprego involuntário (DL 220/2006, Art. 9.º n.º 1 al. c)). Presume-se involuntário se a empresa não contestar a justa causa ou, se contestar, se provares que puseste a ação em tribunal (Art. 9.º n.º 5).

Guarda provas: emails, mensagens, nomes de testemunhas, declarações médicas.

Minuta: rescisão com justa causa

Para casos de assédio, más condições ou salários em atraso.

Gerar minuta →

Voltar ao trabalho

  • Avisa o regresso por escrito. Pede confirmação do horário e das funções.
  • Quando a suspensão acaba, a empresa não te pode impedir de retomar a atividade normal: é contraordenação grave (Art. 295.º n.º 5).
  • Se o ambiente que te adoeceu continuar, volta ao médico e guarda provas.

Ligações úteis

Perguntas frequentes

Quanto tempo posso estar de baixa por burnout?+
O subsídio de doença dos trabalhadores por conta de outrem é concedido por um período máximo de 1095 dias (DL 28/2004, Art. 23.º n.º 1). [Interpretação corrente:] o médico passa baixas por períodos curtos e renova-as enquanto a doença o justificar.
Os primeiros 3 dias de baixa são pagos?+
Por regra, não. A empresa não paga a falta por doença quando estás coberto pela proteção da Segurança Social na doença (Código do Trabalho, Art. 255.º n.º 2 al. a)). E o subsídio de doença só é pago a partir do 4.º dia (DL 28/2004, Art. 21.º n.º 1). Não há estes 3 dias de espera em caso de internamento hospitalar ou cirurgia de ambulatório, tuberculose, ou doença que começa durante o subsídio parental e continua depois dele (Art. 21.º n.º 6).
A empresa pode pedir o meu diagnóstico?+
Não, em regra. O empregador não pode exigir informações sobre a tua saúde, salvo quando particulares exigências da atividade o justifiquem e dê o motivo por escrito (Código do Trabalho, Art. 17.º n.º 1 al. b)). Mesmo nesse caso, a informação vai para um médico, que só diz à empresa se estás apto ou não (Art. 17.º n.º 2). A prova da doença é a declaração do hospital, do centro de saúde, do serviço digital do SNS (ou dos serviços regionais de saúde dos Açores e da Madeira) ou o atestado médico (Art. 254.º n.º 2).
Podem despedir-me por estar de baixa?+
[Interpretação corrente:] não por esse motivo. A justa causa de despedimento exige um comportamento culposo do trabalhador (Art. 351.º n.º 1) e estar doente não é culpa tua. Se a baixa durar mais de um mês, o contrato fica suspenso, não acaba (Art. 296.º n.º 1).
Quanto recebo durante a baixa?+
O subsídio de doença é uma percentagem da remuneração de referência: 55% até 30 dias, 60% de 31 a 90 dias, 70% de 91 a 365 dias e 75% acima de 365 dias (DL 28/2004, Art. 16.º n.º 2).
Se o burnout é causado pela empresa, posso sair com indemnização?+
[Depende do caso:] se houver, por exemplo, assédio (Art. 29.º) ou ofensa à tua integridade física ou moral, podes resolver o contrato com justa causa (Art. 394.º n.º 2 als. b) e f)). A indemnização fica entre 15 e 45 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, com um mínimo de 3 meses (Art. 396.º n.º 1). A resolução com justa causa pelo trabalhador conta como desemprego involuntário para o subsídio de desemprego (DL 220/2006, Art. 9.º n.º 1 al. c)).

Fontes oficiais

7 referências

Este guia é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para casos concretos, valida com um advogado ou entidade oficial. Encontraste um erro? Avisa-nos em ola@despacho.pt.