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Ordenado mínimo 2026: 920€ no Continente — bruto, líquido e regiões

Salário mínimo de 2026: 920€ no Continente, 966€ nos Açores e 980€ na Madeira. Quanto fica líquido, como calcular o part-time e o que pode integrar a remuneração mínima.

Os valores legais por região

No Continente, o Decreto-Lei 139/2025 fixou a retribuição mínima mensal garantida (RMMG) em 920€, com efeitos a 1 de janeiro de 2026. Executa a trajetória do Acordo Tripartido 2025–2028; a obrigação de pagamento resulta do diploma legal.

RegiãoMínimo geral bruto mensal em 2026Base legal
Continente920€DL 139/2025, arts. 2.º, 3.º e 7.º
Açores966€Acréscimo de 5%: art. 3.º do DLR 8/2002/A, republicado pelo DLR 8/2019/A
Madeira980€DLR 1/2026/M, arts. 2.º e 4.º, com efeitos a 1 de janeiro

Este guia trata o regime laboral geral. Uma convenção coletiva ou o contrato podem estabelecer um mínimo superior. O tempo parcial e as reduções específicas do artigo 275.º do Código do Trabalho não se resolvem aplicando cegamente o valor de tempo completo.

O que mudou face a 2025 no Continente

Indicador20252026Variação
Mínimo bruto mensal870€920€+50€ (+5,7%)
Bruto anual do exemplo (×14)12.180€12.880€+700€
Segurança Social mensal do trabalhador (11%)95,70€101,20€+5,50€
Retenção mensal de IRS no caso simples0€0€—
Líquido mensal do exemplo774,30€818,80€+44,50€

O exemplo anual pressupõe um ano completo, salário fixo em dinheiro e subsídios de férias e de Natal completos, cada um de valor igual a esse salário. Admissão, cessação, suspensão ou uma composição remuneratória diferente podem alterar o cálculo dos subsídios (arts. 263.º e 264.º do CT).

Bruto e líquido: quanto entra na conta

Para um mês completo, salário em dinheiro e taxa contributiva geral do trabalhador de 11%, sem outros abonos ou descontos:

Região e salário do exemploSS do trabalhadorRetenção de IRSLíquido mensal
Continente — 920€101,20€0€818,80€
Açores — 966€106,26€0€859,74€
Madeira — 980€107,80€0€872,20€

Os exemplos usam as tabelas regionais de retenção de 2026 para trabalho dependente, sem deficiência, sem dependentes e sem IRS Jovem, pressupondo residência fiscal na região indicada. Outros rendimentos sujeitos no mesmo mês ou outros descontos podem alterar o recibo. Ter dependentes não reduz uma retenção que já é zero; prestações como o abono de família não são salário pago pela empresa.

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Retenção de IRS e mínimo de existência

A retenção na fonte é o desconto feito no recibo. As tabelas de 2026 dão retenção zero para os casos da tabela acima. Receber um pouco mais do que o mínimo não significa necessariamente começar logo a descontar: a tabela aplicável, a situação familiar e o arredondamento também contam. Por exemplo, no Continente, a tabela III para casado, único titular, prevê retenção zero até 991€.

O mínimo de existência é um mecanismo da liquidação anual, previsto no artigo 70.º do CIRS, com valor de referência de 12.880€ em 2026. Tem regras sobre as categorias de rendimento e os rendimentos do agregado. Não é uma isenção universal para qualquer pessoa cujo salário mensal seja baixo. Outros rendimentos podem alterar o imposto final, mesmo que o recibo tenha retenção zero.

Part-time e valor da hora

O artigo 271.º do CT estabelece esta fórmula:

Valor da hora = (retribuição mensal × 12) ÷ (52 × período normal semanal)

920€ e 40h/semana: (920 × 12) ÷ (52 × 40) = 5,307692…€/h ≈ 5,31€/h
920€ e 35h/semana: (920 × 12) ÷ (52 × 35) = 6,065934…€/h ≈ 6,07€/h

Usa o período normal de trabalho semanal; em adaptabilidade, o período definido em termos médios. Dividir o salário pelas horas efetivamente trabalhadas num mês concreto não substitui esta fórmula. Para contas de horas suplementares, conserva a precisão e aplica os acréscimos devidos.

No tempo parcial, o artigo 154.º manda comparar com um trabalhador a tempo completo em situação comparável. Assumindo o mínimo geral do Continente e nenhuma prestação adicional que o integre:

  • 20 horas face a 40 horas completas: 920 × 20 ÷ 40 = 460€/mês.
  • 20 horas face a 35 horas completas: 920 × 20 ÷ 35 ≈ 525,71€/mês.

O que pode integrar o mínimo e o que pode ser descontado

A RMMG não é necessariamente apenas a retribuição base. O artigo 274.º inclui certas prestações em espécie, comissões sobre vendas, prémios de produção e gratificações que tenham natureza retributiva. Exclui prestações de atribuição acidental ou por período superior a um mês.

O subsídio de refeição habitual, com natureza compensatória, é tratado separadamente (art. 260.º). Não o confundas com alimentação em espécie acordada como parte da remuneração. Para esta, o artigo 274.º fixa limites, calculados sobre o mínimo aplicável: 35% para alimentação completa, 15% para uma refeição principal, 12% para alojamento do trabalhador e 50% para o total das prestações em espécie. O valor também não pode exceder o preço corrente na região; a habitação do agregado familiar tem uma regra própria de valorização.

Uma coisa diferente é a empresa descontar o preço de refeições, bens ou despesas. O artigo 279.º proíbe descontos fora das situações que admite. Para as despesas aí previstas, importa verificar se foram solicitadas ou acordadas; em regra, os descontos permitidos abrangidos pelo limite não podem ultrapassar, em conjunto, um sexto da retribuição. Os descontos legais para o Estado e a Segurança Social ficam fora desse limite; há ainda a exceção das cooperativas de consumo prevista no n.º 4.

Pede os valores e o fundamento por escrito e verifica o recibo. O artigo 276.º exige a identificação das prestações, descontos e líquido. O dinheiro transferido pode ser inferior ao mínimo bruto, sem que isso, por si só, prove incumprimento.

Estágios e outras situações especiais

Não existe um único valor aplicável a todos os estágios. Uma bolsa de estágio obedece às regras da medida respetiva. Por exemplo, a ficha do IEFP de julho de 2026 fixa a bolsa base dos Estágios INICIAR, nível 4, em 913,12€ (1,7 × IAS), antes de outras prestações: não se deve apresentar todas as bolsas como superiores aos 920€.

Num contrato de trabalho, há reduções específicas da RMMG no artigo 275.º: 20% para praticante, aprendiz, estagiário ou formando em formação certificada, durante o período legalmente permitido. O limite geral é de um ano, contando a formação anterior documentada para a mesma qualificação; passa a seis meses nos casos de qualificação indicados no n.º 3. Chamar alguém de "estagiário" não chega. A redução por capacidade de trabalho reduzida também depende das condições legais e de certificação própria; não decorre simplesmente de ter uma deficiência.

O que muda para a empresa e para quem já ganha mais

No regime contributivo geral, o empregador suporta 23,75%, além dos 11% descontados ao trabalhador. Sobre um salário de 920€, isso representa 218,50€ de contribuição patronal: 1.138,50€ de salário e contribuição da empresa, antes de seguro, alimentação e outros custos.

A subida de 50€ no salário representa cerca de 61,88€ adicionais por prestação salarial para a empresa: 50 × 1,2375 = 61,875€. A existência de apoios depende de medidas e condições concretas; não se deve contar com uma compensação automática pelo aumento.

Quem já ganha acima do mínimo não recebe necessariamente mais 50€, nem o mesmo aumento percentual. Confirma a convenção coletiva, a tabela salarial publicada no BTE e o contrato. Se esses instrumentos impõem um valor superior, é esse que a empresa tem de respeitar.

Se a empresa estiver a pagar abaixo do devido

  • Confirma a regra aplicável: região, categoria profissional, convenção coletiva, horário completo comparável e prestações que podem integrar o mínimo.
  • Guarda provas: contrato, recibos, horários e comprovativos de pagamento. Pede por escrito a regularização e as diferenças vencidas.
  • Se houver incumprimento, podes apresentar queixa à ACT. Não existe, nestas regras, uma obrigação geral de esperar oito dias antes da queixa.
  • Se o contrato terminou, atende à prescrição: o prazo geral do artigo 337.º, n.º 1, começa no dia seguinte à cessação. Não suponhas que uma carta ou uma queixa à ACT interrompe, por si só, esse prazo; procura apoio jurídico atempado para reclamar em tribunal.

Correção de 19 de setembro de 2026: revistos os valores regionais, exemplos líquidos, distinção entre retenção e imposto anual, horário e part-time, composição do mínimo, descontos, estágios e custo patronal. As referências genéricas e estimativas regionais foram substituídas por fontes identificadas.

Perguntas frequentes

Qual é o salário mínimo em Portugal em 2026?+
Os valores gerais brutos mensais para trabalho a tempo completo são 920€ no Continente, 966€ nos Açores e 980€ na Madeira, com efeitos desde 1 de janeiro de 2026. Uma convenção coletiva ou o contrato podem impor um valor superior. O tempo parcial e as reduções legais específicas exigem cálculo próprio.
Quando começou a aplicar-se o aumento?+
No Continente, os 920€ produzem efeitos desde 1 de janeiro de 2026, por força do Decreto-Lei 139/2025. O diploma entrou em vigor a 30 de dezembro de 2025. O empregador tem de respeitar o novo mínimo aplicável sem condicionar o aumento à assinatura de novas obrigações pelo trabalhador.
Quanto recebo limpo com 920€?+
818,80€ num mês completo, no caso de 920€ de salário em dinheiro, taxa geral de Segurança Social do trabalhador de 11%, retenção de IRS de zero e sem outros abonos ou descontos: 920 − 101,20 = 818,80€. Ter dependentes não altera, por si só, esta conta quando a retenção já é zero.
Tenho de pagar IRS sobre o salário mínimo?+
As tabelas de retenção de 2026 preveem zero de retenção nos valores mínimos regionais nos casos gerais aqui apresentados. A retenção mensal e o imposto anual são contas diferentes. O mínimo de existência tem como referência 12.880€ em 2026, mas a sua aplicação depende dos rendimentos e condições do agregado. Ganhar um pouco acima do mínimo também não implica sempre retenção positiva.
Qual é o salário mínimo nos Açores e na Madeira?+
966€ nos Açores, correspondentes a 920€ mais o acréscimo legal de 5%; 980€ na Madeira, fixados pelo Decreto Legislativo Regional 1/2026/M, com efeitos a 1 de janeiro. São valores legais de 2026, não estimativas.
Quem recebe acima do mínimo também tem aumento automático?+
Não há uma atualização proporcional geral de todos os salários. O empregador deve assegurar o novo mínimo aplicável e cumprir a tabela salarial da convenção coletiva e as cláusulas do contrato. Uma atualização de outras categorias depende dessas regras.
A empresa pode descontar alojamento ou refeições?+
É preciso distinguir remuneração em espécie acordada de descontos por despesas. O artigo 274.º admite certas prestações em espécie no mínimo, com limites; o artigo 279.º permite apenas determinados descontos, sujeitos às suas condições. Os 920€ são uma referência bruta: o dinheiro transferido pode ser inferior. Pede o fundamento, o acordo e a discriminação no recibo.
Trabalho a part-time. Como se aplica o salário mínimo?+
Compara o teu período normal semanal com o de um trabalhador a tempo completo em situação comparável. No Continente, 20 horas face a 40 horas dão 920 × 20 ÷ 40 = 460€; face a 35 horas, dão cerca de 525,71€, se essa for a referência aplicável. Os 5,31€/hora são apenas o resultado aproximado para 920€ e 40 horas semanais.

Fontes oficiais

10 referências

Este guia é informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para casos concretos, valida com um advogado ou entidade oficial. Encontraste um erro? Avisa-nos em ola@despacho.pt.